Brasileiro, o verdadeiro futebol: Progressão

30.05.2017

Futebol 9: A progressão necessária entre o Futebol 7 e o Futebol 11

 

 

A Associação de Futebol do Porto (AF Porto) foi pioneira no lançamento da variante Futebol 9 (Fut9) em Portugal, para o escalão Infantis (Sub-13), na época 2014/2015. Na época que agora finda (2015/2016), salvo erro ou omissão, mais 4 associações promoveram a inclusão do Fut9 nos seus quadros competitivos: AF Algarve, AF Évora, AF Lisboa e AF Portalegre. É crível que, nas próximas épocas, mais associações se juntem na promoção desta variante do jogo que estabelece uma ponte importante entre o Futebol 7 (Fut7) e o Futebol 11 (Fut11).

Progresscao dos Formatos de Jogo (Lapresa et al., 2008)

Figura 1. Progressão dos formatos de jogo competitivo nos escalões de formação (Lapresa et al., 2008).

A título pessoal, tive a oportunidade de trabalhar com uma equipa Sub-13 na estreia do Fut9 no Algarve e constatei que foi uma medida muito favorável para a evolução dos miúdos e, na generalidade, bem aceite pelos clubes participantes. Convicções pessoais à parte, o propósito deste artigo é apresentar alguns argumentos que demonstrem que, de facto, a variante do jogo mencionada potencia a evolução dos jovens praticantes e é capaz de fomentar a qualidade do processo ensino-aprendizagem e a dinâmica aquisitiva de competências num futebol de formação pensado a médio/longo prazo.

O respeito por um princípio do treino basilar: progressividade

No âmbito do treino desportivo, o princípio da progressividade diz-nos que deve haver uma progressão (1) nos conteúdos, mais ou menos específicos, transmitidos nas sessões de treino, (2) na complexidade das tarefas de treino propostas aos praticantes e/ou (3) nas exigências percetivo-motoras, fisiológicas e psicológicas impostas aos praticantes, quer ao nível do treino, quer em competição. Consideremos as principais características dos três formatos de jogo competitivo em análise: Fut7, Fut9 e Fut11 (tabela 1).

* Valores médios calculados a partir dos limites regulamentares, impostos pela FIFA ou pela FPF, para o comprimento e para a largura dos campos nos três formatos de jogo competitivo.

Não é preciso fazermos estudos científicos para constatarmos que a transição do Fut7 para o Fut11 é prejudicial para a maioria das crianças. Há 20 anos atrás, com 11/12 anos de idade, marcávamos pontapés de canto com dois jogadores no Fut11: um levantava a bola e outro tentava colocá-la no interior da área, pois não tínhamos força para fazer a bola chegar a distâncias de 20/25 metros. Se atentarmos à tabela 1, verificamos que ao nível da área relativa por jogador, do Fut7 para o Fut11, há um aumento de cerca de 50% no espaço de jogo disponível por jogador, ainda que o aumento do número total de jogadores em campo corresponda a 8 elementos. Se juntarmos a este dado, o aumento do tamanho das balizas, da bola e do espaço inerente à regra do fora-de-jogo, podemos aferir que o conjunto das mudanças não é adequado a um vasto número de crianças/jovens entre os 12 e os 14 anos de idade, por razões de cariz diverso: estado maturacional, nível de prática, (des)conhecimento do jogo, potencial atlético, etc. O Fut9, ao constituir um formato de jogo intermédio, com uma mescla de características do Fut7 e do Fut11, veio harmonizar a difícil transição entre estes dois formatos de jogo. Por um lado, pressupõe que as crianças/jovens intervenham mais sobre a bola que no Fut11, jogando mais vezes próximo do centro de jogo; por outro lado, estimula a necessidade de maior competência nos comportamentos sem bola que no Fut7. Portanto, acaba por se observar uma maior adequação do formato de jogo competitivo às possibilidades/características dos jovens praticantes.

O futebol de formação pensado a médio/longo prazo

Se olharmos para o processo de formação de uma perspetiva macroscópica, devemos perceber que uma criança que comece a praticar futebol federado aos 8 anos de idade chega aos Infantis (Sub-13) com, no mínimo, 3 anos de experiência no Fut7 (Sub-10, Sub-11 e Sub-12), quando ainda tem 6 épocas de Fut11 pela frente (Iniciados, Juvenis e Juniores). A introdução do Fut9 para além de harmonizar a transição do Fut7 para o Fut11, também visa contrariar a tendência de muitos treinadores, delegados e diretores em querer chegar ao Fut11 o mais rápido possível, por norma logo no escalão Infantis, para preparar as equipas para as competições de Iniciados (Sub-15). Uma questão premente: não seria mais benéfico para muitos dos nossos jovens praticantes de futebol, e para muitos clubes portugueses com menos recursos humanos, materiais e financeiros, terem a opção de recorrer ao Fut9 mais do que uma época (por exemplo, nos Sub-14)? Mesmo com 14 anos, há jovens que ainda não deram o salto pubertário e intervêm sobre a bola, em média, duas ou três vezes num jogo de Fut11. Naturalmente, perderão motivação intrínseca para treinar e jogar e a consequência pode mesmo ser o abandono da modalidade.

Pensarmos a médio/longo prazo significa termos objetivos de rendimento concretos para os Juniores e, essencialmente, para os Seniores e nunca para o escalão de Iniciados. No processo de formação, a competição não pode ser vista como um fim, mas antes como um meio para servir a aprendizagem do jogo e o desenvolvimento progressivo de competências táticas, técnicas, físicas, psicológicas e sociais. Se assim não for, estaremos a transformar a formação no futebol num processo redutor, passível de corresponder somente às condições e pretensões temporárias de um grupo restrito de miúdos que, por sinal, até podem nem vir a ser os grandes craques do futuro.

Lapresa, D. A., Idiakez, J. A., Echevarría, B. G., García, R. E., & Jiménez, M. A. (2008). Enseñando a jugar “El Fútbol” hacia una iniciación coherente. Logroño: Universidad de La Rioja, Federación Riojana de Fútbol.

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